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Welcome to Portuguese Newark
A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabellos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal. |
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A minha pátria
é a língua Portuguesa.
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O PORTUGUÊS é a língua que os portugueses, os brasileiros, muitos
africanos e alguns asiáticos aprendem no berço, reconhecem como
património nacional e utilizam como instrumento de comunicação, quer
dentro da sua comunidade, quer no relacionamento com as outras
comunidades lusofalantes.
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Esta língua não dispõe de um território
contínuo (mas de vastos territórios separados, em vários continentes)
e não é privativa de uma comunidade (mas é sentida como sua, por
igual, em comunidades distanciadas). Por isso, apresenta grande
diversidade interna, consoante as regiões e os grupos que a usam.
Mas, também por isso, é uma das principais línguas internacionais do
mundo.
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Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e
em que
se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha
língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor,
como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do
deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação
Vírgilio Ferreira
A língua portuguesa é um
mundo de artes e funções. Em cada lugar da terra onde se conhece, ela
ganha a fluidez e o canto que lhe permite durar para compor a alma
nativa, para alojar a paisagem, para coroar a lenda de que foi feita.
A.
Bessa-Luís, JL 22/06/94

A poesia é a minha explicação com o
universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no
real, o meu encontro com as vozes e as imagens. Por isso o poema não
fala duma vida ideal mas duma vida concreta: ângulo da janela,
ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros,
aparição dos rostos, silêncio, distância e brilho das estrelas,
respiração da noite, perfume da tília e do orégão.
As Amoras
O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
Eugénio de Andrade ("O Outro Nome da
Terra")
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